Eu sempre sou daquele tipo de gente que fica super ansiosa por algum evento. Daí chega a véspera do dia esperado e eu simplesmente começo a alternar euforia e depressão. Quem manda ser bipolar, né?
É uma mistura de pessimismo com otimismo, alegria com melancolia, desejo de viver e uma vontade inenarrável de tomar o rivotril todinho e acabar com tudo de uma vez.
Já houve vários ensaios sobre a mente de um bipolar. Muitos já tentaram estudar, entender, descrever... Só se sabe quem sente e se uma coisa que eu posso afirmar - sendo eu uma portadora de TBH - é que o bipolar nunca é. Ele está sempre sendo.
A mente de um bipolar funciona mais rápido que o coração de um beija-flor. Os pensamentos vem e ricocheteiam na nossa cabeça, e é uma tentativa quase sempre em vão de tentar agarra-los e permanecer com eles. Eles vem e vão. Tal qual as pessoas. O meu maior defeito talvez seja a deficiência que eu tenho em cultivar bons sentimentos e relações.
Eu enjoo de pessoas, de coisas, de lugares, de cheiros, de comidas. De tudo. Eu simplesmente enjoo e não quero mais ver na minha frente. Não sei é culpa minha ou se é o TBH que faz isso. Não quero me escusar usando minha patologia como desculpa mas eu sou assim. E não vou mudar. Sei que não vou. Porque sou teimosa e porque nem quero. Cansei de agradar os outros.
E aí, passado o meu aniversário que é um marco no ano nessa minha instabilidade emocional, vem o períodos das festas de fim de ano.
Resolvo beber todo natal porque sempre espero o Papai Noel e a felicidade mas nenhum dos dois vem. Então viro algumas doses e durmo pra esquecer que quando acordar de manhã não tem nenhum presente com meu nome embaixo da minha árvore nem tem ninguém me ligando dizendo que quer ficar comigo o resto da vida, casar, ter três filhos, dois gatos, um cachorro e uma casa com jardim chinês.
Passa o Natal e eu me animo com o reveillon. Aí no dia 31 começa tudo de novo.
Porque as pessoas festejam a passagem do dia 31/12 pro dia 01/01? É só mais um mês dos 12. Só mais um.
Mas tem essa magia toda que envolve o reveillon. Essa coisa de esperar que o próximo ano seja melhor, que a vida seja melhor. De repente todo mundo é bom, todo mundo é educado e te deseja coisas boas pro próximo ano. Até o seu vizinho que você passa 364 dias sem nem dar bom dia quando vê você saindo do carro grita "Feliz Ano Novo".
Pras pessoas é um começo. É um recomeço.
Pra mim é só o fim. Fico inquieta com essa coisa toda, esse glitter todo, os fogos me ensurdecem, não me deixam nem ouvir meus pensamentos e eu só quero que aquilo tudo termine.
As pessoas veem até mim me abraçar a meia-noite e eu dou um sorriso amarelo.
Alguém pergunta se não estou feliz. Não é que não esteja feliz. Seria um crime não estar feliz pelo simples fato de estar viva, mas acho que estou apenas cansada.
"O que é que essa menina tem? Tá ali toda solitária."
"Deixa, ela é assim mesmo, depois melhora..."
Eu sou assim. Depois eu melhoro. Quando acaba tudo, quando a festa acaba, quando os fogos cessam e as bolinhas do champagne param de subir, eu melhoro. Acabou. É o novo ano. É fim do começo. Aleluia!
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