Não sei nem exatamente porque eu sentei na frente desse computador as 3:00h da manhã, mesmo depois de doses de remédios pra dormir e sem sono algum, comecei a tecer palavras que nem sei mesmo se estão vindo só da minha cabeça. Acho que a metade delas tá vindo do meu coração. Eu achava que nem tinha um. Até eu começar a namorar contigo, ou pelo menos depois de sentir que você realmente era a pessoa que eu queria do meu lado. Mas eu tinha mesmo um coração que servia pra coisas além de bombear sangue pro meu corpo.
Já desejei que ele parasse de fazer isso. Já desejei e já tentei fazê-lo parar.
Ele anda batendo num ritmo diferente. Sem graça, sem emoção, sem qualquer coisa que me faça pensar que é uma coisa boa. Sou boa nas palavras, mesmo quando acho que não as tenho. Sou boa em tentar ajudar, sou boa advogada, sou boa na cozinha, sou boa amiga, sou boa na oratória, sou boa filha, sou boa companhia... Sou boa em muitas coisas. Só não fui boa o bastante pra você.
E apesar de levar dias rancorosos tentando achar onde errei, em que ponto errei, o que faltou e o que veio em demasia, tudo se resume a um único pensamento: De que eu realmente nunca fui nada pra você. Que tolice a minha, achar que eu podia trazer graça à vida de alguém. Ou seria a vida de algo? Você ainda é alguém? Você ainda é uma pessoa? Ou você é somente uma carcaça também sem um coração? Hoje, depois de tudo, eu tenho a convicção de que é sim.
Eu tenho um coração. Você também tem um? Ele bate por alguém? Por algo? Por um sonho? O meu bate, desacelerado, descompassado, mas ainda esperançoso. Na esperança de que um dia ele bata mais forte, mais rápido, mais alegre por alguém de novo, alguém que não seja algo como você é, alguém seja realmente um alguém, não uma carcaça que vaga por aí, vazia. Alguém que me emocione. Você deixou de me emocionar a mais tempo do que eu supunha. Eu sou aquele tipo de pessoa que gosta das aventuras, da emoção do novo, que tem medo de tentar o novo, mas uma vez dentro da jogada, não pula fora por pouca coisa. E você não tinha mais sabor de novo. Você era como o refrigerante armazenado por dias na geladeira. Só uma água com açúcar. Sem o gás que realmente faz da bebida um refrigerante. Você era só água e açúcar. E açúcar me faz mal. Você realmente só me fez mal.
Eu ganhei um coração quando eu te beijei com paixão. Mas aí você o quebrou, em mil pedacinhos. Pra consertá-lo eu precisei da ajuda de amigos. E quando eu tava conseguindo colar os caquinhos dele sozinha, você veio e quebrou tudo de novo. Você parece aquelas doenças recorrentes, que a gente trata, fica tudo bem e tempos depois aparece tudo de novo, causando todo mal novamente.
Eu tinha um coração remendado mas você apareceu e estragou todo o trabalho árduo que eu tive, só pra ostentar o título de "Eu sou o cara". E ainda acha que eu devo ser legal e te perdoar por tudo.
Que tipo de pessoa você é? Você gosta de ver as pessoas sofrerem por você. Quem em sã consciência chuta o amor de alguém? Que tipo de pessoa recusa a ajuda de uma mão amiga quando está num buraco? Que tipo de pessoa mente em excesso e depois quer a confiança de uma amizade? Que tipo de pessoa cria uma mentira, a propaga e depois acredita nela? Sua vida é um lixo, você é um lixo. Você fez da sua vida um lixo.
Eu já desejei morrer, já desejei que você morresse, já te odiei, já te amei, já te espraguejei, já te reneguei, já te ignorei, já tentei te esquecer. E desisti de tudo, porque cada vez que eu penso em você, minha boca enche de água e eu vomito. Acho que não estou normal, já até falei isso pra minha terapeuta e ela disse que é uma repulsão normal. Não consigo acreditar nela. Não consigo acreditar em ninguém depois de saber que você, a pessoa em que eu mais confiei, mentiu pra mim descaradamente.
Mas acredito que seja bom vomitar. Deve ser a resposta do meu organismo querendo desesperadamente te botar pra fora. Te expulsar de mim de qualquer jeito.
Você não foi nada. Nada de interessante na minha vida. Não me ajudou a evoluir. Só atravancou o meu caminho, me fez perder a confiança dos meus pais, perder meu amor-próprio, minhas esperanças, me fez perder sonhos, planos, viagens, amigos... O sexo com você foi uma droga, as conversas eram uma droga, sua companhia era uma droga. Você nem pertence ao meu mundo. Eu sei mais coisas que você, sou mais coisas que você. Eu sou mulher feita, você é uma criança. Imaturo, inexperiente, alienado. Eu realmente queria que você nunca nem tivesse existido na minha vida.
Acho que agora eu entendo porque escrevi tudo isso. Tinha a vã esperança de te machucar pelo menos um pouquinho em relação ao tanto que você me machucou. São coisas que não consegui colocar pra fora antes. Coisas do âmago da minha alma. Talvez a última vez em que eu te confiei coisas tão íntimas. A última vez que te escrevi botando meus sentimentos pra fora, mesmo sabendo que nunca receberei uma resposta à altura, porque você não tem maturidade, inteligência e nem sensibilidade pra ser um homem de verdade e encarar a vida com a devida seriedade. Repito, você não é nada!
Sinceramente? Seja muito infeliz enquanto você não aprender a ser uma pessoa de verdade com um coração de verdade e continuar querendo ser só um nada...
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